Memórias do OJMJ: Dodora

Quando Maria das Dores (Dodora) conheceu o Orfanato Jesus Maria José (OJMJ), a instituição ainda atuava como internato e moravam mais de 60 meninas órfãs. Ela residia perto do OJMJ e lembra com detalhes das primeiras impressões que teve do local. “Eu, pequenininha, com cinco anos, ficava por cima do muro olhando as freiras no terreno. Tinham muitas árvores, era um pomar que elas chamavam.”, conta.

Dodora fala que, naquele período, era praticamente inimaginável pessoas pobres terem acesso ao estudo. “Talvez aprender a ler e escrever muito pouco e pronto”, relata. Ela diz que sempre gostou de estudar e, segundo conta, foi no Orfanato que encontrou a oportunidade para desenvolver seu hábito de ler e de se inteirar nas áreas do conhecimento.

A alegria no seu semblante é nítida, quando ela narra toda a sua trajetória após a saída do Orfanato. “Eu fiz um concurso e passei. Comecei a trabalhar e ganhei justamente a área do Orfanato. Eu sou agente de saúde daqui.”, conta ela orgulhosa.

Dodora lembra ainda que sua primeira experiência de emprego foi no próprio Orfanato, substituindo uma professora. “Talvez por isso eu quis cursar pedagogia.”, deduz. A ex-aluna do Orfanato cursou, além de pedagogia, filosofia na Universidade Federal do Cariri (UFCA). Ela é também cordelista e fez um cordel contando sua trajetória no Orfanato na ocasião do centenário da instituição.

Galeria